O risco político acabou neste ano?

29 janeiro 2021

Monthly House View de fevereiro de 2021 da Indosuez - download aqui

As cicatrizes da crise da COVID-19 são perceptiveis em toda parte, talvez exceto nos preços do mercado de ações...

Com o apoio das políticas monetária e fiscal, e anúncios posteriores de desenvolvimento de vacinas, os mercados acabaram olhando apenas para as boas noticias e parecem imunes a fatores de preocupação e incerteza.

Ainda há muitas razões para se ter hoje mais cautela do que no final do ano passado: uma nova onda da pandemia ligada à variante britânica, uma tendência macroeconômica que pode decepcionar no primeiro trimestre e uma recuperação do mercado no final do ano que já havia antecipado um potencial de recuperação nos resultados, o que acaba deixando pouco espaço para surpresas desagradáveis.

O fator de risco politico também pode ser o convidado surpresa do ano de 2021. Nos últimos meses e trimestres houve uma sucessão de boas notícias na frente política: um acordo sobre o plano de recuperação europeu, uma vitória sem grandes problemas de Joe Biden e, finalmente, um acordo de última hora do Brexit. No entanto, os fatores de incerteza politica podem ressurgir, a começar pela Europa: mesmo que os mercados estejam acostumados a um retorno regular da instabilidade no governo da Itália, a taxa de juros dos titulos com vencimento em 10 anos do pais não inclui muito risco. O reinado de Angela Merkel terminará no segundo semestre e a França entrará em sua próxima corrida presidencial.

Fora da Europa, o otimismo um tanto ingênuo nascido da eleição americana enfrentará gradualmente a realidade de uma rivalidade sempre presente e acirrada com a China, que não desaparecerá com a saida de Donald Trump da Casa Branca. No entanto, a natureza da rivalidade mudará, com o foco na tecnologia e sua ligação com questões geoestratégicas. For fim, a grande estabilidade politica da China não será sinônimo de ausência de risco para investidores, conforme demonstrado pelo impacto das intervenções de Pequim sobre várias grandes empresas chinesas negociadas em bolsas de valores.

No entanto, caso seja um fator determinante, como isso será integrado, em termos de alocação, e como nos posicionaremos? Enquanto não enxergarmos nenhum risco sistêmico no fator politico, teremos que suportar essa possivel fonte de volatilidade, e não se posicionando apenas no curto prazo...

No curto prazo, a trajetória da pandemia, as campanhas de vacinação e as expectativas econô-micas é que vão determinar se os mercados retornarão a uma fase mais volátil ou não, ainda que a meta de uma taxa de vacinação de 50% da população entre o segundo e o quarto trimestre na maioria dos paises ajude a manter uma visão positiva. A velocidade ou o atraso na implementação dessas ações determinará, por fim, se o otimismo deve prevalecer nos próximos meses, ou se os investidores devem revisar suas expectativas para os resultados da atividade no primeiro trimestre.

 

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Monthly House View de 22.01.2021 da Indosuez, excerto do Editorial

29 janeiro 2021

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