Janeiro seco

31 janeiro 2022

EUA | Americana | Bandeira | Estados Unidos da América
Monthly House View - Fevereiro 2022 - Download aqui

Os investidores foram passar as festas de fim de ano despreocupados, tranquilizados por um mercado eufórico e entraram em 2022 com um novo cenário diante de seus olhos, sem terem tempo para reagir: taxas de juros em forte alta, campeões de luxo e de tecnologia em correção e, ao mesmo tempo, ecos de guerra ressoando no Leste Europeu e na Ásia Central. O resultado foi uma mudança de regime e a adoção de um "Janeiro seco" em termos monetários e financeiros, contrastando com a complacência dos mercados observada no fim de 2021. E quando os membros mais acomodatícios ("dovish") dos bancos centrais se rendem aos partidários de maior austeridade monetária ("hawkish"), chegou a hora de virar a página de 2021 e corrigir os excessos mais visíveis.

O que as ações em correção têm em comum? O nível das valorizações continuam a ser o fator mais importante quando tentamos fazer o mercado “tomar o remédio”. Frente ao aumento das taxas de juros, que pesa cada vez mais, os investidores estão fazendo vendas massivas de ativos com múltiplos de valorização ultrapassando 40 a 50 vezes seus lucros, um nível que aproxima perigosamente seu retorno sobre o patrimônio líquido das taxas de juros de longo prazo. O risco é que estão desconsiderando as perspectivas de crescimento, a rentabilidade recorde e o poder de precificação que fazem desses ativos uma boa defesa contra uma inflação que permanece elevada por mais tempo do que o esperado. Por outro lado, alguns vencedores de 2021 tiveram um excelente começo de ano, entre os quais se destacam as ações dos setores bancário e da energia. 

Já vimos esse filme antes? Alguns analistas se sentem tentados a traçar paralelos com o início do ano passado, também caracterizado pelo aumento das taxas de juros e pela rotação nas ações. No entanto, a conjuntura não é exatamente a mesma. No ano passado, foram a aceleração do crescimento, o plano Biden, o Senado democrata e o início da vacinação, além dos primeiros avisos sobre o risco inflacionário, que levaram à atual configuração. 

Este ano, estamos em um contexto de normalização do crescimento e das políticas monetárias, com exceção da China neste último ponto. Apesar de talvez já estarmos no pico da inflação, o aumento das taxas de juros e a redução do balanço do Fed ainda estão por vir. É esta a maior mudança em comparação a 2021: as taxas de juros reais vão aumentar. Desde dezembro, a grande alteração consistiu na mudança do foco dos aumentos das taxas de juros para a redução do balanço, das taxas de juros de curto prazo para as de longo prazo e, ainda, das moedas para as ações. Talvez a comparação mais apropriada seja a do início de 2018, quando o Fed acelerou os aumentos de taxas de juros, com um mês de janeiro que começou em rotação setorial e terminou em correção.

Contudo, convém manter as coisas em perspectiva: a taxa de juros de 10 anos dos Estados Unidos, líquida de inflação, variará entre -4% e -5%, e deverá permanecer em território negativo durante todo o ano de 2022, um cenário que continua favorável para os ativos de risco. No entanto, um risco tão grande quanto o de ignorar as mudanças que ocorrem neste momento será o de exagerar esses riscos e temer um choque semelhante ao colapso de títulos de 1994. Desde então, o Fed nos tem condicionado a mudar a rota quase sistematicamente logo que os mercados começam a se abalar. 

Mais do que tentar prever um futuro incerto, o essencial para os investidores será se adaptar a essas incertezas, observando com atenção os sinais dos bancos centrais e as notícias das empresas. Em última análise, a chave da trajetória dos mercados de ações continuará a ser a trajetória da rentabilidade e do crescimento das ações, a única classe de ativos que permite resistir à erosão dos rendimentos reais e, simultaneamente, encontrar setores promissores diante de taxas de juros em alta. A boa notícia é que a volatilidade deverá oferecer pontos de entrada inalcançáveis em 2021.

 

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Monthly House View de 21/01/2022 da Indosuez - Excerto do Editorial

31 janeiro 2022

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